A importância dos corredores de ônibus para a cidade

É sabido que o rápido crescimento dos centros urbanos não acompanhou o planejamento da maioria das cidades brasileiras, e o resultado é evidente: engarrafamentos, tempo de espera do ônibus, perda de espaço público e emissão de gases atmosféricos.

Dentre eles, nas grandes megalópoles, o trânsito denso é o principal vilão da população brasileira — segundo a pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), aponta que 66,6% dos brasileiros convivem com congestionamento para se deslocar.

A partir disso, a implementação das faixas exclusivas para ônibus são uma saída inteligente para reduzir o problema. Além de ser uma iniciativa que incentiva a utilização de transporte coletivo, os corredores garantem mais fluidez para a cidade, uma vez que um ônibus conduz a quantidade equivalente a 40 carros, segundo o levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).

De acordo com a pesquisa do IPEA em 2021, os municípios brasileiros têm apresentado uma tendência de aumento na utilização do transporte individual motorizado e redução do transporte coletivo nos últimos anos. Diante do estudo fica evidente o pouco incentivo para que a população faça uso do transporte coletivo. E dá para entender o motivo pela escolha individual: além da má qualidade e superlotação dos veículos, ficar preso no trânsito nessas condições dificulta ainda mais a vida do usuário.

Diante disso, algumas cidades e especialistas defendem o uso do transporte público com corredores exclusivos para ônibus em horários de pico, o que reduz o tempo de viagem. Segundo um levantamento da empresa Scipopulis em parceria com o Instituto de Políticas de Transporte & Desenvolvimento (ITDP Brasil), a solução pode reduzir a duração das viagens em até 30% nos trajetos em regiões movimentadas.

Do ponto de vista ambiental, segundo o IPEA, o transporte público polui 19 vezes menos do que motocicletas e oito vezes menos do que carros. Sanar os problemas da cidade não está relacionado apenas a priorização do transporte coletivo, vai além, é necessário a criação de um sistema inteligente que integre mais opções de deslocamento de um ponto ao outro, com conexões para pedestres até ciclistas, afinal estas medidas serão determinantes para o rumo da recuperação verde.

É inegável que o caminho para reverter o cenário do setor de transporte é a adoção de outros modais e grandes investimento em tecnologia para a cidade do futuro. Sobretudo, remodelar a estrutura depende das autoridades, pesquisadores e empresas privadas para buscarem medidas que suportem o crescimento de automóveis e iniciativas que priorizem os transportes coletivos para garantir até mesmo cidades mais sustentáveis. Contudo, esses problemas são desafios presentes de longa data e os mais prejudicados são aqueles que dependem diariamente do transporte público.

* Rodrigo von Uslar Petroni é Bacharel em Direito, CEO e cofundador da UPM2, startup paulista que desenvolve soluções para mobilidade urbana.

Créditos Fotográficos Agência Brasil

Acesse a pesquisa do IPEA

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