OPINIÃO: Transporte rodoviário após coronavírus – um panorama

 De acordo com consulta realizada pelo grupo de pesquisa WRI Brasil, com participação de mais de 15 cidades, houve uma queda média de 75% de passageiros após as medidas de isolamento social. 

Jean Carlos Pejo: Primeiramente, precisamos levar em conta que, imediatamente antes da pandemia do coronavírus, as empresas de transporte coletivo já vinham passando por uma situação econômica e financeira difícil.

Isso em decorrência de políticas tarifárias, das condições de capacidade de subsídios, e também de uma série de fatos novos ocorridos, como a própria entrada de serviços privados de transporte de passageiros no mercado.

O transporte público também tem um aspecto muito importante, que o diferencia de outros setores: ele não pode adequar a oferta à demanda. Isto é, se a demanda caiu 80%, ele não pode reduzir em 70% o número de ônibus. Se fizer isso, a empresa vai gerar uma fila enorme de espera dos ônibus. 

Os ônibus circularão lotados, o que vai contra a orientação de evitar aglomerações. É importante manter os funcionários com seus empregos. Para isso, deve-se criar a possibilidade de que essas empresas tenham acesso a crédito, independentemente da situação econômica que elas se encontram. Em situações normais, a oferta do ônibus tem que ser bem maior do que a demanda. Não sendo, há uma drástica redução da receita, e uma redução de despesa que não é tão acentuada. 

E isso aumenta mais ainda o prejuízo dessas empresas. Afinal, a quebra dessas empresas e a demissão dessas pessoas pode gerar um problema muito sério quando chegarmos ao período da reconstrução. Isso deve acontecer através de tecnologia, investimentos, sistemas de bilhetagem, sistemas de integração, sistemas intermodais… Enfim, é muito importante aquilo que a gente chama de “cidade inteligente” – que seja dada inteligência para o sistema de transporte. 

Sobre Jean Carlos Pejo

Pós-graduação com MBA em Logística Empresarial e Gerência de Projetos, ambas pela Fundação Getúlio Vargas. Engenheiro mecânico pela UNICAMP e Administrador de Empresa, também possui cursos de especialização e estágios em ferrovias do Japão, França, Reino Unido e Estados Unidos em seu currículo. 

Foi Diretor de Planejamento e Gestão da FEPASA – Ferrovia Paulista S.A., membro do Conselho da Cia. Paulista de Força e Luz (Empresa de Transmissão e Distribuição de Energia), bem como consultor técnico das empresas MITSUI e Poyry Engenharia. 

Em 2019, foi Secretário Nacional de Mobilidade e Serviços Urbanos (SEMOB). Atualmente, Pejo é Secretário Geral da ALAF/Brasil – Associação Latino-Americana de Ferrovias.

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